Resenha #1 A Redoma de Vidro – Sylvia Plath

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Quando comecei a ler a Redoma de Vidro, não sabia muito bem do que se tratava. Criei um objetivo para ler mais mulheres esse ano ( que vocês podem conferir aqui ) e o livro da Sylvia Plath foi bem recomendado. Não conhecia a escritora e não sabia o que me esperava.

Gostei bastante do livro, mas confesso que não é uma leitura tranquila, pelo contrário é bem angustiante.

Embora não seja um livro autobiográfico, pois o nome de pessoas e de lugares foram trocados, a doença mental da protagonista  é bastante semelhante às experiências que Plath teve. A autora cometeu suicídio um mês após a primeira publicação da obra

O livro conta a história de Esther  Greenwood, uma estudante de 19 anos de uma universidade conceituada, que conseguiu um estágio numa revista de moda super famosa em Nova York e  o livro começa ai. Esther é rodeada de meninas bonitas (assim como ela), e de muito luxo, acompanhamos a personagem indo a várias festas, bares e conhecendo muitos homens nas madrugadas agitadas de Nova York.  Ao mesmo tempo que há muita diversão, há muito desinteresse pela vida.

Embora tenha conseguido ter tudo o que sempre quis para chegar até ali,  por algum motivo Esther está entrando em um buraco cada vez mais fundo.  Ela tem crises de choro inexplicáveis, ela não tem compaixão, não tem empatia, tanto é que deixou sua colega desmaiada do lado de fora do seu quarto propositalmente.

Quando lhe perguntam o que ela quer da vida, ela não sabe responder, ela mesmo pensa que sempre teve a resposta para essa pergunta na ponta da língua, mas em dado momento ela só sabe responder “não sei”, porque a depressão sugou todas as esperanças e vontade de viver que havia nela.

Achei fantástica a analogia à figueira, quando a autora diz que precisa escolher um figo (um sonho), mas ao fazer isso ela sabe que terá que desistir de todos os outros.

 Me vi sentada embaixo da árvore morrendo de fome, simplesmente porque não consegui decidir com qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos, e um por um desabaram no chão aos meus pés

Quando o estágio dela acaba e volta para casa em Boston, tudo parece piorar. Sem notar, a decepção vai se transformando em apatia e resignação, e a personagem se vê internada em uma clinica psiquiatra após tentar se matar. Os dias passam e ela não consegue dormir, nem comer, nem tem ânimo para trocar de roupa ou pentear os cabelos.

Senti uma angústia imensa com o constante pensamento suicida de Esther,  seus flertes frustrados, a tentativa de estupro sofrida, a visita ao túmulo de seu pai… enfim, são vários episódios tristes ou nem tanto assim, que vão se acumulando até culminar em tentativas de suicídio e nas internações nas clínicas psiquiátricas.

Eu engatinhei de volta para a cama e puxei o lençol sobre minha cabeça. Mas mesmo isso não bloqueou a luz, então eu enterrei minha cabeça sob a escuridão do travesseiro e fingi que era noite. Eu não via o porque de me levantar. Eu não tinha nenhuma expectativa.

O livro termina exatamente do mesmo jeito que começou: Esther consegue o que quer, mas continua completamente vazia dentro de sua redoma de vidro, deixando o futuro da personagem em aberto para imaginação do leitor.

Talvez o esquecimento, como uma nevasca suave, pudesse entorpecer e esconder aquilo tudo. Mas aquilo tudo era parte de mim. Era minha paisagem.

 

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