Ser uma âncora

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Esses dias estava aqui atualizando o blog, quando percebi que ainda não tinha mudado minha idade nas informações. Ainda estava 24.
Parei e refleti. Agora. Já tenho 25 anos. 25.

Não sei muito bem o que planejei para os 25 anos da minha vida, mas sempre achei que uma pessoa com 25 anos seria uma pessoa velha, essa pessoa já seria muito adulta, com casa própria, marido, filhos e cachorro. Até agora só tenho o cachorro.

É engraçado lembrar que quando eu era adolescente, eu tinha certeza que uma pessoa de vinte-e-tantos-anos era uma pessoa super adulta, que exibia em seu semblante todo o peso de ser, de fato, um adulto. Engraçado é perceber que ser adulto não quer dizer nada disso. Não quer dizer nada.

Agora eu tô aqui com 25 anos, vivendo numa incoerência de me achar velha, de não ter construído nada, de meu-deus-socorro-já-tenho-25. Mas também penso calma-você-ainda-tem-apenas-25.

E nesse meio tempo me vejo perdida numa crise de ansiedade. Tem dias que acordo desesperada pensando ” Que merda eu tô fazendo da minha vida?”. E passo o dia inteiro pensando em coisas aleatórias para ocupar meu tempo e inventando soluções mirabolantes e impossíveis, como imigrar para o Canadá.

Depois disso começo a chorar. Sim. O choro é frequente, me pego chorando porque não consigo dormir. Choro porque perdi o ônibus. Choro porque alguém falou que ganhei alguns quilinhos a mais. Choro porque a receita nova que inventei de fazer não deu certo.

Um dia desses, fui ao plantão psicológico da pós. Sim, na minha pós gradução tem um plantão psicológico, porque é tão tenso que o povo vive surtando. Entrei. Sentei. Olhei para cara da pessoa. E comecei a chorar. Por 20 minutos. Chorando desesperadamente. A pessoa não fez qualquer intervenção e eu fiquei ali, chorando.  Depois disso fiquei  fiquei chorando no ônibus, na volta para casa, com raiva de mim, por ter chorado na frente de um completo estranho sem motivo.

Meus dedos vivem doendo, porque não consigo parar de roer unha. Acho que, se eu pudesse, eu roeria os dedos, mas não dá neh? Não consigo abrir uma latinha de refrigente, por exemplo, porque dói.

E no meio de (mais uma) crise de ansiedade, percebi que preciso aprender a ser o suficiente, preciso aceitar que estou fazendo o meu melhor e efetivamente fazê-lo.

Preciso aprender a ser o suficiente. Todos precisamos sim de alguém, alguém da família, um amigo ou mais que isso, não importa quem ou o que,  eu sei disso. Mas também preciso saber viver por mim, aprender a me levantar sem ajuda, aprender a me aceitar, aceitar minhas escolhas, não importa o que digam. Preciso ser minha  própria âncora, o que vai me levantar e me guiar quando precisar.

Aprender a ver quem eu sou, a me aceitar, a pegar minha própria mão e dar impulso que vai me levar para cima. Preciso dar o impulso para me levantar, o impulso que vai me fazer ser alguém na vida.

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